quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A "culpa" é "nossa"

Nós latinos americanos descendentes das tribos nativas com certeza somos os culpados pelo atual cenário socio-político em que se encontra tanto o Brasil quanto a América Latina.
Somos nós os responsáveis por não termos rechaçado logo de primeira qualquer tentativa de diálogo com os povos europeus.
Somos culpados de tentarmos negociar com esses povos extrativistas e escravocratas.
Somos culpados de termos criado uma civilização nova com o cruzamento das raças, civilização esta cujo idioma oficial era uma variação do Tupi até pelo menos metade do século 18.
Somos culpados por permitirmos que leis oriundas da Europa nos governasse pelos tempos da colônia.
Somos culpados por termos permitido que se fizesse no Brasil um império.
Somos culpados por permitir que pessoas que não eram de nosso território se apossasse de léguas e léguas de terras de nossos ancestrais.
Somos culpados por mesmo depois de consolidada a República termos deixado tantas pessoas com privilégios ainda dos tempos coloniais.
Somos culpados por respeitarmos as leis feitas pela nova "elite" deste antigo território.
Somos culpados por gostarmos de sermos livres, simples, e de grande apego com a natureza.
Somos culpados por permitirmos que viessem novas levas de estrangeiros enquanto os antigos habitantes eram expulsos de suas terras.
Somos culpado por acreditarmos na paz e na boa ação vinda dos poderosos.
Somos culpados pela nossa própria ingenuidade.
Somos culpados por termos vivido e sobrevivido.
Somos culpados por sorrirmos.
Somos culpados por termos tesão.
Somos culpados por sermos atraentes.
Somos culpados pelos estrangeiros que vieram pra cá não terem chacinado o povo nativo a exemplo do que fizeram os invasores na América do norte.
Somos culpado por termos miscigenado nosso sangue para criar um novo povo planetário.
Somos culpados por aceitarmos que os partidos políticos governem a nação, ao invés do povo.
Somos culpados por permitirmos que a privatização explore o Brasil, ao invés do equilíbrio ambiental e financeiro a favor do povo.
Somos culpados por queremos um carro novo a cada 4 anos. Por queremos uma TV nova, porque é LCD. Por querermos consumir futilidades enquanto nos roubam oportunidades e minerais.
Somos culpados por nos sujeitarmos a esta constituição que só beneficia os ricos.
Somos culpados de permitir que esta nova nação tivesse concentrado seus recursos e educação na região Sul e Sudeste em detrimento das demais.
Somos culpados por permitir que os militares tomassem o controle do país em momentos "chaves" da história.
Somos os culpados pela TV e demais mídias brasileiras manipularem a informação a favor de uma elite parasita.
Somos culpados por permitir que o dinheiro público financie quase todos os empreendimentos particulares do país, inclusive as próprias privatizações das estatais.
Somos culpados pos achar normal que emissoras como a Globo não cumpra seus deveres de educadora, ou que não pague seus impostos.
Somos culpados por não termos como controlar as urnas eletrônicas.
Somos culpados por pagarmos todos os nossos impostos.
Somos culpados por permitir que candidatos sejam eleitos utilizando o excesso de votos de um outro.
Em suma, nós descendentes dos povos tradicionais da América e do Brasil somos os culpados por permitirmos o direito à propriedade privada. Pois por trás de qualquer propriedade particular tem a marca do sangue dos nossos ancestrais.
Somos culpados por aceitarmos a polícia como mantenedora da paz social, enquanto nós cidadãos civis temos que andar desarmados.
Somos culpados por aceitarmos a injustiça em nossas terras.
Somos culpados por termos RG, CPF, Título de Eleitor e etc.
Somos culpados por usarmos a tecnologia.
Somos simplesmente culpados...

E aí? É isso que o discurso anti-índios quer ouvir de nós nativos americanos? Estamos vivos, e somos o Brasil. Somos muito mais do que nos ousam julgar. Somos a força e a história deste continente, e não precisamos nos envergonhar por sermos humildes e alegres. Nossa alegria só é violada quando nos tiram o direito à dignidade, e hoje companheir@s, ainda hoje, muitos dos que moram no Brasil querem nos tirar isso. Os discursos são variados, mas a finalidade é a mesma, lucro para os mais ricos e estrangeiros, e opressão para os humildes e nativos. Qualquer um que tenha um nome quase impronunciável tem mais direitos do que um brasileiro "mestiço". Nossa sociedade ainda é racista e preconceituosa, principalmente por parte dos segmentos de nomes "trava-lingua", no discurso destes o nativo mais antigo é culpado por não ter enriquecido, não percebendo eles que o maior valor da vida está em viver dignamente, e não enriquecer. Ter amigos e não concorrentes, ser saudável e não guloso.
Pois é, somos filhos de Deus acostumados à liberdade, sem rotinas, sem patrões, sem desigualdades... há quem diga que isso é utopia ou passado, mas dizem isso porque não conhecem o Povo Brasileiro, não conhecem as nossas histórias, nossas lendas, nossas alegrias. Não conhecem nossas "culpas".

Élder Vieira
Jornalista

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Pimenta no olho dos outros é refreco

Tava conversando com alguns internautas sobre política e soberania nacional, mas basta algumas opiniões discordantes e pronto, o bom senso foi para as cucuias e sobrou a gritaria e a porrada. De que serve tachações enquanto se direciona a outrem? De que vale para o bom entendimento da liberdade e da democracia defender a guerra? Em que mundos estamos em que a dor do próximo não vale nada desde que o lucro pessoal esteja baseado no sofrimento alheio? Que mundo é esse que não respeita a palavra de amor de Jesus Cristo, e considera a violência e a covardia como uma prática louvável? Esse mundo companheir@s, com certeza é o mundo do “cão”, pois só mesmo Lúcifer para tornar tantos corações de pessoas inteligentes assim tão frios, vis e covardes.
Para começo de entendimento sou brasileiro, descendente dos nativos deste imenso território a que chamamos Brasil. Para os novos brasileiros, aqueles que chegaram com as novas levas de imigração do século 19 e século 20, vos digo que somos bastante antigos neste território, mais antigos do que lhes permitem vossa genealogia, e caso vocês não saibam, nosso país foi formado em grande parte pela miscigenação do gene europeu com o do indígena americano, e depois com o acréscimo do gene africano, mas a maioria da população nativa do Brasil é descendente de alguma tribo indígena. No meu caso, Eu Sou Tupi-Guarani.
Aqui vejo palavras e não pessoas, mas me preocupo com as pessoas que podem estar por trás destas palavras, ao visto muitos sequer se consideram americanos e brasileiros, são somente anti-povo e pronto, o restante é que se dane, e bota a ignorância na frente, grita mais alto e sai de baixo que o diálogo é coisa de índio, e quem tem “educação” toma tudo na força mesmo, po**a de ONU, o que vale é o tamanho do meu muc.
Mas, como diria um poeta: “Fazer o que cidadão?”. Pois é, fazer o quê se a safra de cabeças “pensantes” são amantes da destruição em massa, talvez influenciado pelos filmes da noite passada, talvez apenas por conveniência para seus “negócios” que envolvem a exploração do povo.
Nenhum governo é bom e “justo” para todos, vale lembrar que quem matou Jesus foram os “intelectuais e poderosos”, uma vez que quem aceitou Jesus eram pessoas simples, pescadores, prostitutas, ladrões, e outros pecadores iguais a mim. Com que Direito Moralez estatizou as refinarias da Petrobrás? Muitos perguntaram, a qual respondi, com o Direito da Soberania Nacional boliviana, e com o mesmo Direito que o Presidente Lula deveria também estatizar e reestatizar empresas que exploram o território brasileiro. Porque uma empresa estrangeira pode explorar o ouro brasileiro e Eu que Sou brasileiro não tenho ouro em casa? Porque meu adereço é de hippie de estrada enquanto a nação é rica em esmeraldas, diamantes, ouro e prata? Porque o governo é omisso a tudo isso? Se temos a Petrobrás que é líder em tecnologia de perfuração o que é que os estrangeiros fazem explorando nosso território? Se o Brasil é a pátria de grandes gênios inventores da humanidade porque ficar comprando tecnologias ao invés de desenvolvermos a nossa? Porque o povo paga água, luz, telefone, se todos esses serviços são produzidos a partir de riquezas naturais nossas? Querem cobrar dinheiro de alguém? Cobra das grandes empresas, são eles que tem, e muito, para poderem pagar.
E sim, devemos ouvir o lado do “tio Sam” a respeito da possível arma de criar terremotos, mas sejam sinceros consigo mesmo, alguém em sã consciência espera que o titio do norte confesse algum crime? Se até hoje a segunda guerra mundial é motivo para “revelações” e mais muitos filmes, imagine só um fato tão à flor da pele.
Quanto aos amantes da luta armada e da “invasão ianque”, sugeri que se alistem no exército e vão lutar no oriente médio, quem sabe vendo a miséria de perto se comova com os horrores da guerra, pois é muito fácil ficar sentado por detrás da TV e do PC incentivando a morte de milhares de jovens no front de batalha, afinal, pimenta só é refresco no olho dos outros.

Élder
Jornalista

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

“Os pecados do Haiti” Por Eduardo Galeano (*)

“Os pecados do Haiti”

Por Eduardo Galeano (*)

A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca ideia de querer um país menos injusto.

O voto e o veto

Para apagar as pegadas da participação estado-unidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder. O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito nem sequer com um voto.

Mais do que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe:
– Recite a lição. E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido.

O álibi demográfico

Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Port-au-Prince, qual é o problema:
– Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.
E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilômetro quadrado.
Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado... de artistas.
Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro.

A tradição racista

Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem "uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização". Um dos responsáveis da invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: "Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses".
O Haiti fora a pérola da coroa, a colónia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das Leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: "O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro".
Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: "Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos". Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro "pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras".

A humilhação imperdoável

Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos tinham conquistado antes a sua independência, mas meio milhão de escravos trabalhavam nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.
A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém comprava do Haiti, ninguém vendia, ninguém reconhecia a nova nação.

O delito da dignidade

Nem sequer Simón Bolívar, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar conseguiu reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano havia-lhe entregue sete naves e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma idéia que não havia ocorrido ao Libertador. Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra.
Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pênis. A essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indemnização gigantesca, a modo de perda por haver cometido o delito da dignidade.
A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.

* Eduardo Galeano é escritor uruguaio, autor do livro "As veias abertas da América Latina".

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Jornalistas diplomados X Jornalistas sem diplomas

Qual a essência do jornalismo? Esta pergunta vem inquietando a muitas pessoas, e o evento volta sempre à tona quando alguém comenta a não obrigatoriedade do diploma para ao exercício da função do jornalista.

Mas e então? Como se posicionar? Se for contra o diploma me perguntarão por que cursei e me formei em jornalismo numa universidade, e se disser que sou a favor do diploma vão dizer que estou apenas defendendo a classe jornalística. Pessoalmente considero esse fato uma “questão sensível” pela profundidade que abrange o tema, mas ficar em cima do muro é consolidar a força presente do jogo de interesses.

Quem Eu Sou para poder classificar o jornalismo?!! O jornalismo é matéria abrangente que envolve diferentes fatores e concepções, tão variáveis quanto forem as cabeças pensantes, por isso há tanta diversidade de expressões e olhares no jornalismo mundial e nacional em qualquer um dos meios de comunicação. Então qual é o papel da Universidade? Bem, boa pergunta.

Estudei por longos anos o curso de Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo em Multimeios, para descobrir que não sei o porquê se estudar numa universidade para atuar na profissão de jornalista. Isso mesmo, gosto muito do jornalismo, o suficiente para saber que um profissional ético e competente na sua função de informar não necessariamente sai de uma universidade. Pois enquanto a expressão e a comunicação são múltiplas e variáveis, as universidades buscam enquadrar seus estudantes em modelos e padrões, como se fossemos gesso em pó, o aprendizado a água, e a universidade a fôrma, saindo todos meio robotizados, meio autômatos, um pouco iguais.

Não pensem vocês que sou contra os cursos superiores, na verdade para quem gosta e trabalha com jornalismo e pode se dar ao luxo de estudar, ou aos que não trabalham mas estão se preparando para trabalhar, estudar numa universidade é muito satisfatório, abre inúmeras portas, as principais dentro de sua própria alma, pois o conhecimento adquirido é a riqueza que traça não come e o ladrão não rouba. Um estudante do curso superior de jornalismo não se forma jornalista, se forma Comunicólogo, podendo atuar em diferentes setores da comunicação, como assessoria (de políticos, empresas e celebridades), planejamento de comunicação, editoração, educação, entre outras habilidades que uma formação acadêmica possibilita, além é claro, de também poder atuar como repórter de campo. Com tanta maleabilidade na formação de um comunicólogo, é muita arrogância afirmar que um jornalista formado irá atuar eticamente e sempre disposto a revelar a verdade ao público, já que esse mesmo formado é capaz de trabalhar na assessoria de políticos e de empresas nem sempre com as fichas limpas, ou que sejam sinônimos de honestidade.

Trabalhar eticamente com Jornalismo é uma coisa e com Assessoria é outra, enquanto um busca investigar e divulgar os fatos ao mundo, o outro edita tudo que será divulgado, manipulando a informação que será transmitida. Infelizmente o jornalismo atual também é acusado de editar as informações que são divulgadas, geralmente sendo a favor dos empresários e patrocinadores. Mas o triste é saber que é na universidade que eles ensinam que o jornalista na empresa é quem tem a menor voz, e que quem manda na empresa é a linha editorial dela, que por sua vez é dominada pelos empresários. Em suma são teorias e mais teorias para que saiamos da universidade com medo, domados e alienados com a idéia (realista?) de que quem governa o mundo são os grandes empresários e de que sozinhos não podemos fazer nada a não ser obedecer ou ficar desempregado. Então é para isso que as universidades servem? Para preparar pessoas que digam “sim”, “sim” ao primeiro com recursos para pagar por nossos serviços? Isso merece uma reflexão.

Considerando esta triste realidade das universidades de jornalismo do Brasil (apesar de ter estudado em “apenas” uma, conheci e conversei com estudantes de todo o Brasil.) sou a favor da não obrigatoriedade do diploma para o exercício da função de jornalista, afinal qualquer pessoa não diplomada pode atuar eticamente enquanto jornalista desde que conheça seus direitos e deveres constitucionais e não os transgrida.

A sociedade antes estava dividida em contras e a favor do diploma, hoje continua a mesma divisão, mas quem é a favor do diploma esquece do poder das novas mídias, da proliferação dos blogs e das redes sociais, e se esquecem também da sombra da ditadura militar, sombra esta viva ainda hoje nos tabus e dogmas da Constituição Brasileira. Na verdade quem defende a obrigatoriedade do diploma está com medo, não medo de perder o seu emprego, mas sim medo da opinião das pessoas livres, das pessoas que não foram automatizadas pelas universidades, e que não aprenderam a puxar o saco dos “superiores” para conseguir o que queriam.

A universidade pode ensinar a linguagem culta e formal, padrões estéticos do texto, clareza na transmissão das mensagens, o poder da influencia e da persuasão em cada mensagem, entre outras sutilezas e detalhes, mas nem por isso sua mensagem é mais direta, objetiva ou verdadeira que a do comunicador popular e sem diploma, que do seu jeito simples e transgredindo todas as normas “cultas” da língua portuguesa, transmite, conscientiza e educa o povo.

No Brasil temos um Presidente da República que exemplifica bem isso, afinal nenhum comunicólogo formado em qualquer uma das melhores universidades de comunicação do mundo, mesmo com toda a linguagem formal e rebuscada que puder conhecer, foi capaz de conseguir cativar a atenção da população brasileira e mundial da forma que o Presidente Luis Inácio Lula da Silva é capaz de fazer, mesmo este não tendo nenhuma formação acadêmica. Por isso afirmo que a única escola que ensina ética aos corações das pessoas é a Escola da Vida.

Lula não é jornalista, mas sem sombras de dúvidas é um excelente comunicador, e assim como um apresentador de jornal não necessariamente escreve o seu texto, Lula se quiser pode se tornar também um jornalista. De igual forma pode um jornalista se tornar Presidente da República, mas dificilmente terá o mesmo carinho e apoio do povo quanto o Lula, pois pessoas que conseguem dialogar e conciliar com os diferentes segmentos da sociedade são raros de aparecerem, e neste sentido de raridade, Lula é único.

Élder Vieira

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Elza Soares em Camaçari

Elza Soares esteve em Camaçari na última sexta-feira (15/01/2010) se apresentando junto com a banda Sambatronica no espaço Armazém, que além dela e da banda ainda contou com a apresentação de Eric Mazoni.
Elza está numa pequena turnê com o grupo Sambatronica desde que ela fez uma participação numa música do CD do grupo, e segundo a banda já está confirmado a presença de Elza num trio elétrico para o carnaval baiano de 2010, o trio será batizado de “Elza pede passagem”. O público de Camaçari gostou muito da apresentação da cantora, considerada por muitos como a musa ou a “deusa” do samba, e cantou junto com Elza os sucessos do seu repertório.
Elza abriu seu show com a música A Carne, e as pessoas repetindo “a carne mais barata do mercado é a carne negra”. Apesar de estar com o pé machucado, Elza pôde expressar sua força e energia para o público Camaçariense, que respondeu com muito samba no pé e alegria.

Élder Vieira

E Quando Acabar o Maluco Sou Eu

Quando a gente acha que já ouviu de tudo, aparece alguém confirmando nossa pretensão. Li num texto de um tal de Valentim uma frase de grande espanto, e vi que ainda hoje se usa o racismo e o preconceito deliberadamente para pregar idéias e ideais contra nossos irmãos humanos, com um discurso que pouco difere do de homens como Hitler, pois a quem será que o autor se refere quando diz “dificuldades genéticas de aprendizado”?

E o que o Valentim fala a respeito de milhões de brasileiros que vão buscar em Deus sua segurança e refúgio? Chamar essas pessoas de escravas? Pois é aí que tua ignorância é revelada, a comunhão com Deus é plena na vida de quem comunga, e estar louvando a Deus com todas as nossas forças, alegrias, inteligência e espírito é deveras mais interessante do que estar freqüentando as mesas de bares e pensando na próxima conquista a se levar para um motel.

Mais incrível ainda é defenderes a guerra, a prostituição, a violência e outras mazelas da sociedade capitalista industrial, pois na medida em que defende a o raciocínio em que Ford, Rockfeller e cia. são os grandes heróis da humanidade, ele fez da proposição “os fins justificam os meios” verdadeira, e entre os “fins” na lista entra artimanha, coação e chantagem, assassinato, entre outras armas para conseguirem impor suas influências pelo mundo.

Na própria lógica capitalista do autor, a classe trabalhadora é vista como uma ferramenta descartável e socializada, mas quem sai ganhando de forma alguma é quem está no comando da nação, quem sai ganhando são as mesmas empresas que o Valentim tanto defende como as protetoras da liberdade. Não sei quem ele é, mas pelo que diz possivelmente representa algum segmento empresarial “tradicional”, pois além de racista e presunçoso, ainda tens medo da opinião popular.

Lembra-te sempre camarada, que o povo não é besta, até pouco tempo quem dominava o Brasil era um segmento partidário político, e se o povo ainda hora a Deus é porque é um povo de fé, pois se nem todos tem essa riqueza que o autor proclamas ter medo de perder, em nossa socialista pobreza somos irmãos humanos, e somos a maior parte da nação, que só depois de mais de 500 anos da guerra da ocupação passou a ser tratada com mais respeito, dignidade, e compaixão.

O mundo pode ser diverso e ainda assim ser comunista, as sociedades indígenas nos mostram isso a mais de 500 anos, mas é preciso pulso firme para estatizar todas as empresas que extraem minérios do Brasil, assim como todos os meios essenciais para a nação. Com a riqueza brasileira, o povo não precisaria mais pagar taxas de água e de luz, nem de telefone e nem de internet, pois seria tudo gratuito para o povo, a produção seria descentralizada, além de contar com diferentes espécies num mesmo espaço de terra, para permitir a natureza de recuperar e fortalecer o solo e seu povo. Deve-se ampliar o serviço público de medicina, atingido o maior número possível de pessoas, com o máximo de conforto e respeito pela dignidade da vida humana. A educação também deve ser prioridade, mas para educar cidadãos, e não máquinas que decoram fórmulas para o vestibular. O transporte público seria organizado, com muitos trens elétricos rodando o país. Todos os brasileiros seriam trabalhadores natos, pois o governo estará sempre capacitando e investindo na indústria nacional, sempre acompanhada das mais recentes pesquisas sobre a preservação e equilíbrio ambiental.

Enfim, existe a possibilidade sim de fazer um mundo justo e mais igualitário, e ainda assim permitir a diversidade da população humana. Mas o que muita gente não quer é perder o seu status de “eu posso e você não”, um tipo de sentimento infantil que leva a pessoa a querer o brinquedo só para si, sem querer dividir nem quando estiver sem brincar.

Quem dera se o presidente Lula retomar o que é de direito do povo brasileiro, e saiba distribuir para o seu legítimo dono, a Nação Brasileira. Até lá, a gente reza irmãozinhos, pois se o povo brasileiro for guerrear, sai de baixo camarada, pois o brasileiro quando precisa sabe ser barra pesada.

Élder Vieira

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

TERRA A VISTA

TEEERRRAAA A VIIISTA
é o grito que o marinheiro espera
depois de tanto tempo no mar
um grão do infinito
que de tudo se pode esperar...

viver e aceitar o sonhar...
arriscar para poder se entregar...
se perder para poder conquistar...

se o Tudo jamais saberemos
mesmo que o sintamos em todo lugar
então viver com o que nos foi dito
e ponderar onde se quer chegar.

o mar para quem vê pode ser um abrigo
mas também pode ser o encontro final do despertar
e a sua fúria mesmo nas marés de março e abril
tem um limite certo de onde ele pode avançar...

e quanto a Nós seres carnais de consciência e umbigo
aonde é o limite que a gente transcende à bem mais que animais?
para ir muito além de nossa própria mente e sentido
até onde somente o Espírito e a Fé for capaz...

Marcos Élder (06/11/2009)